O que a Metaverse Fashion Week me ensinou sobre inovação: E por que ainda vale observar com atenção
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Introdução
Durante meu MBA em Marketing, escolhi um tema pouco explorado e altamente questionado para meu Trabalho de Conclusão de Curso: a Metaverse Fashion Week de 2023 no ambiente da Decentraland. Em um momento em que muitos diziam que o metaverso estava “morto”, decidi investigar a fundo o que estava realmente acontecendo ali.
Mais do que uma análise acadêmica, esse tema foi atravessado pela minha experiência pessoal: participei ativamente da comunidade da DCL por quase dois anos, e pude observar em tempo real a ascensão e a queda desse espaço.
Este artigo une essas duas perspectivas: o olhar acadêmico da pesquisadora e a visão crítica de quem viveu o metaverso por dentro.
O que foi a Metaverse Fashion Week 2023
A Metaverse Fashion Week (MVFW) é um evento de moda 100% digital, realizado no metaverso da Decentraland (DCL). Em sua segunda edição, de 28 a 31 de março de 2023, participaram aproximadamente 30 marcas globais, incluindo nomes como:
- Tommy Hilfiger (com moda gerada por IA);
- DKNY (com espaços interativos como galeria de arte, pizzaria e salão);
- Adidas, Dolce & Gabbana, Diesel, Ben Bridge, entre outras.
Essas marcas ofereceram aos visitantes uma experiência interativa, com a distribuição de NFT Digital Wearables (itens de moda digitais para personalização de avatares) e atividades gamificadas.
Minha pesquisa usou um protocolo de observação qualitativa para identificar:
- Presença e estratégia das marcas;
- Formas de interação com o público;
- Tipos de tecnologias utilizadas;
- Áreas de interesse e engajamento dos participantes.
O estudo mostrou que os NFT Wearables funcionaram como forte estratégia de engajamento, gerando tráfego, desejo de colecionar e um senso de participação exclusiva.
O olhar crítico de quem viveu o metaverso por dentro
Enquanto pesquisava, eu também era usuária ativa da Decentraland. E o que vi, com o tempo, foi uma espécie de "cidade fantasma" tomando conta do espaço após o fim da pandemia.
A promessa era grandiosa: um espaço onde trabalharíamos, iríamos a shows, festas e faríamos compras. Mas na prática:
- As plataformas tinham pouca estabilidade para eventos maiores;
- Os bugs eram frequentes e frustrantes;
- O acesso era limitado por hardware caro (VR, PCs potentes);
- A experiência final não era fluida para a maioria dos usuários.
Quem tinha acesso pleno ao metaverso eram pessoas com alto poder aquisitivo e muito tempo livre. A massa que realmente consome produtos culturais ficou de fora.
E não houve planejamento para isso.
Acompanho o Hype Cycle do Gartner, e ele ajuda a entender esse movimento. O metaverso passou pelo:
- "Peak of Inflated Expectations" (durante a pandemia);
- E hoje, está no "Trough of Disillusionment", onde muitos abandonaram a ideia por frustração.
Mas isso não significa que morreu. Significa que foi mal executado, mal investido e pouco acessível.
O que podemos aprender (e aplicar hoje)
O Metaverso deixou aprendizados valiosos que podemos aplicar em outras áreas da inovação:
- Tecnologia não basta. Ela precisa ser acessível, funcional e entregar valor real;
- Inovação precisa de planejamento, não apenas hype;
- Gamificação e personalização funcionam muito bem para engajamento, desde que a experiência seja estável;
- Comunidade importa. Colaborar com influenciadores e usuários ativos gera muito mais valor do que apenas "lançar produtos".
Essas lições têm conexão direta com o crescimento da IA, jogos, realidade aumentada e produtos digitais em geral.
A IA, por exemplo, cresce rapidamente porque é útil, acessível e está presente em várias soluções práticas.
Conclusão
O Metaverso não está morto. Mas precisa ser repensado com estratégia, acessibilidade e planejamento real.
O que vivi e estudei na Metaverse Fashion Week me ensinou mais do que marketing no ambiente digital: me ensinou sobre visão de futuro, comportamento de usuário e o que realmente sustenta uma inovação duradoura.
Hoje, migrando para o universo da tecnologia, games e IA, levo comigo essa bagagem analítica e criativa para construir soluções mais inteligentes, acessíveis e significativas.