POO – Um Paradigma Tão Complexo Assim?
Ultimamente, tenho me empenhado em focar mais em projetos práticos. Mesmo que não sejam algo disruptivo que vá mudar o mundo ou ser vendidos por milhões, são desenvolvimentos simples que, aos poucos, me ajudam a transformar minhas ideias em código, aplicando o conhecimento adquirido em cursos e vídeos que já assisti.
Enquanto passava por esse processo, lembrei do início de tudo: quando fui apresentado à programação orientada a objetos (POO) na faculdade. Confesso que, no começo, foi algo totalmente confuso. A ideia de "pegar algo do mundo real e transformá-lo em um objeto" parecia abstrata demais. E, para piorar, esse objeto, na verdade, era uma classe que servia como um molde para criar outros objetos da mesma natureza. (Todo mundo já viu o exemplo da forma, né? Kkk).
Para alguns, essa lógica fez sentido logo de cara: ouviram, entenderam e aplicaram. Mas, para mim, mesmo com tantos exemplos, tudo ainda parecia estranho. A ideia de converter algo real em um objeto virtual parecia distante, até que, um belo dia, nas aulas da DIO e da faculdade, conheci algo chamado pensamento computacional e me deparei com a palavra abstração. Naquele momento, minha reação foi imediata:
Google -> pesquisar -> "Significado de abstração".
Foi aí que minha mente explodiu.
A palavra "abstrato" já faz parte do nosso dia a dia, mas abstração, no contexto da programação, tem um significado mais profundo. Quando entendi isso, tudo se encaixou, e finalmente consegui contemplar a real essência da POO.
O que é abstração?
Na programação, abstração significa identificar e representar apenas os aspectos essenciais de um objeto ou sistema, ignorando detalhes irrelevantes para seu uso no contexto do software.
Uma vez que entendemos isso, percebemos que temos o poder de construir qualquer coisa em código. Isso é mágico. A programação nos dá uma liberdade incrível: se temos tempo e disposição, podemos criar qualquer coisa. Somos, literalmente, pedreiros de software. A diferença é que, uma vez que entendemos como algo funciona, conseguimos abstrair cada componente para o mundo digital, simular funcionalidades e criar sistemas baseados nessas simulações.
A POO é exatamente isso: o "poder" de transferir objetos do mundo real para o digital.
Por exemplo, imagine um monitor. Podemos fazer a abstração dele criando uma classe Monitor
, definindo suas características (tamanho, resolução, taxa de atualização) e, a partir dessa classe, instanciar diversos monitores. Com base nesse conceito, podemos desenvolver um sistema que nos permita configurar e controlar um monitor digitalmente. No começo, parece algo simples, mas, com o avanço da ideia, percebemos o quanto isso é poderoso.
Programar é algo incrível. É libertador transformar pensamentos em código, aprender ao longo do caminho, implementar funcionalidades e ajudar outras pessoas. Tudo isso é mágico e poderoso. Claro, existem limitações – como desenvolver um ChatGPT da vida, que exige uma quantidade absurda de recursos. Mas, se esses recursos existirem, a possibilidade está lá. E mesmo sem eles, podemos criar versões menores e adaptadas para nossas necessidades.
No fim das contas, a maior limitação sempre estará entre a cadeira e o monitor.
Embora a abstração seja um dos pilares mais fundamentais da POO, ela não age sozinha. Para estruturar bem um software, também utilizamos outros conceitos essenciais: encapsulamento, herança e polimorfismo. Vamos falar um pouco sobre cada um deles.
Encapsulamento: É a prática de esconder os detalhes internos de um objeto e permitir o acesso apenas a partes específicas, garantindo segurança e modularidade no código.
Herança: Permite que uma classe herde atributos e métodos de outra, promovendo reutilização e evitando código duplicado. Por exemplo, se tivermos uma classe Animal
com um método fazerSom()
, podemos criar subclasses Cachorro
e Gato
que herdam esse método, mas podem sobrescrevê-lo para emitir sons diferentes
Polimorfismo: Refere-se à capacidade de um mesmo método ter diferentes comportamentos dependendo do contexto, tornando o código mais flexível e reutilizável.
Se quiser aprofundar ainda mais no conceito de abstração, este tópico no Stack Overflow explica tecnicamente o tema:
O que é abstração? – Stack Overflow
A POO é um paradigma poderoso que, quando bem compreendido, nos permite criar sistemas robustos e escaláveis. Aprender a abstração foi um divisor de águas para mim, e acredito que pode ser para muitos outros também. Agora quero saber: como foi sua experiência ao aprender POO? Você também achou complicado no começo ou pegou o jeito rápido? Me conta aqui nos comentários!