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Altair Rocha
Altair Rocha08/03/2024 16:19
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Adeus a Nuvem?

    Esta reportagem é bem interessante e serve para refletirmos a respeito dos serviços em nuvem. Acompanhe:

    Repatriação dos dados da nuvem

    Esse é o nome desse fenômeno que já está em andamento há alguns anos e consiste em algo simples: sair da nuvem e voltar a ter todos os serviços e dados em infraestrutura localSegundo relata o portal InfoWorld, um total de 25% das empresas contatadas em uma pesquisa no Reino Unido já fizeram um movimento parcial ou total nesse sentido.

    Entre as razões apresentadas pelas empresas que participaram no inquérito e que repatriaram as suas infraestruturas estavam os problemas de segurança e as grandes expectativas que tinham com esta mudança (33% aludiram a esta causa), enquanto 24% explicaram que os seus objetivos e expectativas não foram alcançados.

    (Imagem: Ismael Enes Ayhan/Unsplash) Ir para a nuvem não era apenas ir para a nuvem

    A verdade é que migrar para uma plataforma em nuvem não faz muito sentido se você não otimizar suas necessidades e carga de trabalho para a nuvem. Fazer isso com aplicações antigas e não adaptá-las aos novos tempos ou aproveitar as vantagens dos containers ou clustering pode resultar em algo contraproducente e, acima de tudo... a nuvem é mais cara.

    O principal motivo da repatriação de dados foi justamente o custo: 43% das empresas pesquisadas explicaram que a migração original acabou saindo mais cara do que o esperado. É verdade que a análise de custo-benefício ao decidir entre infraestrutura em nuvem e infraestrutura local varia muito de empresa para empresa, mas muitas optaram pela nuvem pensando que isso lhes pouparia dinheiro. Em muitos casos, parece não ter sido esse o resultado.

    Mas existem desafios na repatriação

    Empresas que “voltam no tempo” e gerenciam suas nuvens privadas precisam monitorar de perto a infraestrutura local para evitar falhas de segurança, ter especialistas para gerenciar serviços e dados e também fornecer uma análise criteriosa dos recursos de hardware que necessitam. Tudo isto impõe um custo econômico e de recursos que deve ser tido em conta a longo prazo.

    David Heinemeier Hansson, criador do Hey e do Basecamp e que teve seus altos e baixos com a Apple, contou em outubro de 2022 como eles tomaram essa decisão com precisão quando detectaram que os custos estavam disparando. Meses depois ele contou como estava indo o processo , e pouco depois retornou sobre as vantagens que obtiveram ao repatriar para a nuvem. O movimento de regresso, pelo menos no caso dele, foi um sucesso.

    AWS e Azure não devem ser (muito) afetados

    Pode parecer que esta decisão de muitas empresas de abandonar estes serviços será um problema grave para empresas como a Amazon ou a Microsoft, mas a realidade é que têm uma perspectiva maior à vista: a da IA, que está a provocar o aparecimento de inúmeras novas tecnologias de serviços da web hospedados precisamente na nuvem. E há mais por vir.

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    Comentários (1)
    Thiago Rossi
    Thiago Rossi - 08/03/2024 18:42

    Lembro que quando a nuvem era uma novidade, matérias saíram aos montes indicando o fim dos data centers locais. Agora surge essa dizendo da "repatriação".


    No meu ponto de vista, e bem superficial do assunto. Eu entendo como um equilíbrio natural do mercado em direção a uma infraestrutura híbrida onde informações sensíveis acabem ficando em servidores on premise, enquanto parte das aplicações e coisa e tal fiquem na nuvem. E diga-se de passagem que existem empresas que estão investindo no multicloud para não correrem o risco de ficarem na mão caso algum serviço pare.


    Enfim, assim como foram as matérias no passado e, possivelmente essa seja a primeira sobre a tal repatriação, para nós meros mortais apenas resta aguardar os próximos capítulos do movimento do mercado.